Ansiedade e Depressão: Como saber quando é hora de buscar ajuda
- Júlia Teixeira
- 5 de mar. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 5 de mar. de 2025

Vivemos em uma sociedade cada vez mais acelerada e exigente, e, por isso, a ansiedade e a depressão se tornaram questões comuns no cotidiano de muitas pessoas. Embora esses termos sejam frequentemente usados de maneira cotidiana, eles têm implicações profundas e podem afetar significativamente a qualidade de vida de quem os enfrenta. A psicanálise, com sua abordagem cuidadosa e profunda sobre a psique humana, nos ajuda a compreender esses estados emocionais de maneira mais complexa e revela a importância de reconhecer o momento certo de buscar ajuda.
A Ansiedade: Quando o Medo se Torna um Peso
A ansiedade é uma resposta natural do corpo diante de situações estressantes ou desafiadoras. É a sensação de nervosismo ou apreensão diante de algo desconhecido, que nos prepara para agir. No entanto, quando essa sensação se torna constante e excessiva, ela pode se transformar em um transtorno. A ansiedade patológica é caracterizada pela preocupação constante, pela sensação de estar sempre alerta e pela incapacidade de controlar os próprios pensamentos.
Psicanaliticamente, a ansiedade pode ser vista como um sintoma de um conflito interno não resolvido. Freud, por exemplo, associava a ansiedade a uma sensação de ameaça interna, que pode estar ligada a desejos reprimidos ou a um medo inconsciente de algo que não conseguimos identificar. Esse estado de alerta contínuo pode ser desencadeado por estresse no trabalho, dificuldades familiares, inseguranças existenciais ou até mesmo traumas não resolvidos.
Quando a ansiedade começa a interferir nas atividades diárias, nas relações e na capacidade de relaxar, ela deixa de ser uma resposta adaptativa e passa a ser um fardo. O corpo e a mente entram em um estado de "hipervigilância", onde até mesmo situações cotidianas parecem perigosas e desafiadoras. Nesse ponto, a busca por ajuda se torna essencial.
A Depressão: O Peso do Vazio e da Falta de Energia
A depressão, por outro lado, é frequentemente caracterizada por uma sensação de vazio profundo, de perda de interesse nas coisas que antes eram prazerosas, e pela falta de energia para realizar tarefas diárias. Em um nível psíquico, a depressão pode ser entendida como um estado em que o indivíduo não consegue mais se conectar com o que o cerca, sentindo-se desconectado do mundo e de si mesmo.
A psicanálise vê a depressão como uma forma de luto não resolvido ou de "falta" emocional. Freud explorou a ideia de que, em casos de depressão, o sujeito pode estar vivenciando uma perda simbólica, como a perda de uma relação importante ou de uma parte significativa de sua identidade. Esse luto não foi elaborado, e o sujeito acaba internalizando o objeto perdido, o que pode gerar um profundo sofrimento emocional. Nesse contexto, a depressão pode ser vista como uma tentativa do inconsciente de lidar com uma perda, uma mágoa ou uma insatisfação que não foi expressa adequadamente.
Os sintomas da depressão podem variar, mas geralmente incluem uma sensação de desesperança, tristeza constante, insônia ou hipersonia, perda de apetite ou excesso de comer, e até pensamentos de inutilidade ou autocrítica excessiva. Quando esses sentimentos persistem por semanas ou meses, interferindo nas funções diárias, é hora de considerar a busca por ajuda profissional.
Quando Procurar Ajuda?
É importante reconhecer que tanto a ansiedade quanto a depressão são condições tratáveis, e muitas vezes, o primeiro passo para a cura é reconhecer que algo não está certo. As pessoas podem sentir que estão "apenas passando por uma fase difícil", mas quando esses sentimentos persistem ou pioram, é fundamental buscar orientação e apoio.
Alguns sinais de que é hora de procurar ajuda incluem:
Sintomas persistentes: Se a ansiedade ou a tristeza persistem por semanas ou meses e não diminuem, mesmo com tentativas de "superar" sozinhos.
Interferência nas funções diárias: Quando o trabalho, as atividades sociais ou o autocuidado começam a ser afetados pela ansiedade ou depressão.
Perda de interesse nas coisas que antes eram agradáveis: Isso pode incluir hobbies, relacionamentos ou até mesmo o prazer de cuidar de si.
Pensamentos autodepreciativos ou suicidas: Qualquer pensamento que envolva culpa excessiva, inutilidade ou, pior, pensamentos suicidas, exige uma atenção imediata.
Sentimentos de solidão ou desconexão: A sensação de que nada vai melhorar, de que não há como sair dessa situação, pode ser um sinal de que o sofrimento emocional está se tornando insuportável.
O Papel da Terapia e do Suporte Profissional
A psicanálise oferece um espaço seguro para explorar essas questões profundas. A psicoterapia permite que o indivíduo compreenda melhor suas emoções, os conflitos internos que podem estar gerando ansiedade ou depressão e as dinâmicas inconscientes que moldam suas reações.
Além disso, em casos mais graves, a combinação de terapia com o uso de medicação pode ser necessária. O tratamento farmacológico pode ajudar a equilibrar os neurotransmissores no cérebro e aliviar os sintomas, enquanto a psicoterapia trabalha as causas emocionais subjacentes.
Conclusão: A Importância de Buscar Ajuda
O sofrimento causado pela ansiedade e pela depressão não deve ser subestimado. Quando esses sentimentos começam a se tornar constantes e a interferir na qualidade de vida, é fundamental reconhecer que a ajuda está disponível. Buscar apoio não significa fraqueza, mas sim um passo em direção ao cuidado de si mesmo e ao processo de cura.
A psicanálise, com sua abordagem profunda e compreensiva, oferece uma maneira eficaz de entender e tratar as raízes do sofrimento emocional. Portanto, se você está se sentindo perdido, sobrecarregado ou sem esperança, saiba que há um caminho para a recuperação e que buscar ajuda é o primeiro passo para reencontrar o equilíbrio emocional.


